Por Lobo da Costa:
Analisando os aspectos do que foi desconstruído no bloco movimento na obra de Gaetano Pescee (poltronas " up series", 1969 ) e respectivamente no bloco distorção com Alessandro Mendini na obra ( re-design das cadeiras thonet e Wassily - 1973/79) no que tangencia às finalidades de propósito e resultado:

Podemos reparar que ambos designers tiveram em vista modificar à estética formal de suas criações cada um a seu modo.
Notamos em Pescee que seu gesto desconstrutivo de criação seguiu de fato à tendência de ruptura com a estética concreta formalista, para submeter à sobriedade tradicional a uma nova concepção decorativa com estética menos formal, para conseguir, romper com os limites da sobriedade com uso de materiais plásticos de cores fortes, próprias do movimento da pop arte e configuração arredondada com ênfase à sensação de liberdade pelo movimento lúdico de contração e expansão anatômica do material leve empregado, que foi um sucesso de vendas no mercado. Já o processo de desconstrução utilizado nas cadeiras de Mendini, se utiliza da técnica da ironia como forma de distorcer à realidade das formas dos objetos originais criados e conhecidos como Thonet 214 (concepção original 1859) e Wassily (concepção original1928).
Mendini,com seu gesto criativo redefiniu às concepções adaptando-as para uma nova configuração, por ele chamada - re-design - que alterava a forma como uma caricatura do objeto original. Desta feita, esse re-design era à própria justificação do objeto reconfigurada para um novo patamar estético em reação aos padrões definidos pelo modernismo. Essa reintrodução na estética foi feita por Mendini, utilizando elementos metálicos assimétricos e coloridos para interferir na formatação original, em vista à alterar o desenho regular para o seu oposto de irregularidade geométrica. Oque era reto, passa a ser sinuoso, passa a ser redondo.

Na cadeira Wassily de formatação original eminentemente concreta, Mendini, consegue um resultado surpreendente, simplesmente interferindo na estampa do tecido para um formato irregular camuflado, que desconfigura completamente à estética original da cadeira.
Observando os dois artistas percebo que ambos tiveram à preocupação de inovar, provocando o estímulo de novos rumos às concepções já criadas! Certamente o gesto de desconstrução de ambos também foi político, no sentido de movimentar o ser experimentador dos novos tempos à exploração de novas formas de relaxar, libertar o pensamento das rígidas amarras da sobriedade das formas! Ambos a meu ver tiveram esse mesmo feeling, o de movimentar e distorcer a realidade dos objetos formais, adaptando-os ao tempo e ao estilo e tendências de suas épocas.
Lobo da Costa é advogado especialista em projetos culturais. Como artista visual, possui cursos na EAV do Parque Lage e especialização em arte, cultura e criação pelo Senac. Concluiu também curadoria e critica de arte pelo MAC de Niterói.
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